Raízes

Nasci no Norte de Minas Gerais, uma região que carrego com muito orgulho na minha identidade e na forma como enxergo as pessoas. Sou filho de Rubens Barbosa e Silêis Antunes, ambos servidores aposentados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e irmão de Samuel Rubens. Cresci em uma família que sempre valorizou a educação, a ética, o respeito às pessoas e o compromisso com o trabalho bem feito.

Minha história foi construída entre diferentes realidades. Vivi parte da infância e da adolescência em Monte Azul, no Norte de Minas, onde também tenho raízes familiares na comunidade rural de Barreiro do Mato. Outra parte da família está em Astorga, no Paraná. Essa convivência entre a vida urbana e a simplicidade do ambiente rural me proporcionou aprendizados que permanecem presentes até hoje: respeito, humildade e simplicidade.

Na infância, minhas paixões eram bastante claras: futebol, Fórmula 1, leitura, aviação, filmes e viagens. A aviação, em especial, despertava meu interesse por influência do meu tio Leopoldo, que me apresentou um universo fascinante de disciplina, planejamento e tecnologia. Curiosamente, muitos dos princípios que admiro na aviação, preparação, gestão de risco, trabalho em equipe e busca constante pela excelência, acabaram influenciando também minha forma de atuar na medicina e na gestão.

Aos 13 para 14 anos, mudei-me para Montes Claros para cursar o ensino médio no Colégio Prisma. Estudei parte como bolsista, resultado do desempenho acadêmico que havia construído até então e, principalmente, do apoio incondicional dos meus pais, motivacional e financeiro, que sempre acreditaram na educação como ferramenta de transformação.

Na época da escolha profissional, vivi uma dúvida que talvez seja familiar para muitos jovens. Por influência da trajetória dos meus pais, cogitei seguir a carreira jurídica e cheguei a ser aprovado no curso de Direito da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Entretanto, havia uma identificação muito maior com a medicina. Assim, iniciei minha formação médica no Instituto de Ciências da Saúde da Funorte, em Montes Claros.

Como acadêmico, eu estava longe de ter todas as respostas. Pelo contrário: tinha dúvidas, inseguranças e muitos questionamentos sobre qual caminho seguir dentro da medicina. Após a graduação, iniciei residência médica em Cirurgia Geral pela Unimontes. Permaneci cerca de oito meses na especialidade, mas percebi que minha afinidade profissional apontava para outra direção. Foi uma decisão difícil, mas extremamente importante. Optei então pela Cardiologia Clínica, realizando minha formação no Hospital Vera Cruz, em Belo Horizonte. Posteriormente, por influência e orientação do meu mentor Dr. Geraldo Magela, segui para a residência de Ecocardiografia no Hospital Odilon Behrens e, depois, um short-fellow no Canadá. Foi um período que consolidou não apenas minha formação técnica, mas também minha visão sobre a importância dos mentores na construção de uma carreira.

Ao olhar para trás, percebo que diversos professores, pais e líderes contribuíram para moldar quem sou hoje. Naturalmente, aprendi muito com aqueles que possuíam grande conhecimento técnico. Mas os profissionais que mais me marcaram foram aqueles que combinavam competência com humanidade: médicos que tratavam pacientes, residentes e estudantes com gentileza, cordialidade e respeito. Pessoas que ensinavam não apenas a medicina, mas também a postura, a ética e a responsabilidade que a profissão exige. Talvez tenha sido justamente essa combinação de influências, a simplicidade das minhas origens, a dedicação da minha família, os exemplos dos meus mentores e a convivência com profissionais humanizados, que construiu a base sobre a qual desenvolvi minha trajetória. Uma trajetória que começou com o desejo de ser médico, mas que ao longo dos anos me mostrou que é possível ampliar o impacto do cuidado quando associamos assistência, liderança e gestão em saúde.

A virada

A grande virada da minha carreira aconteceu de forma muito mais natural do que planejada. Sempre falo isso com meus amigos, alunos e leitores: muitas vezes você não se prepara para ser gestor, mas a vida te escolhe para liderar.

Quando me formei e escolhi a Cardiologia, imaginava uma trajetória essencialmente assistencial. Meu plano era construir uma carreira sólida como cardiologista, atuando diretamente no cuidado dos pacientes, realizando consultas, exames e acompanhamentos clínicos. Em 2018, mudei-me para São Paulo em busca de novos desafios profissionais. Foi quando iniciei minha trajetória na Prevent Senior como cardiologista clínico. No ano seguinte, em 2019, fui convidado para atuar como médico tutor e mentor de uma carteira de pacientes. Aquela experiência teve um impacto muito maior do que eu imaginava. Eu acompanhava aqueles pacientes com enorme zelo e responsabilidade, buscando não apenas oferecer assistência médica de qualidade, mas também coordenar o cuidado. Sem perceber, eu já começava a desenvolver competências que mais tarde seriam fundamentais para a gestão.

A verdadeira mudança aconteceu em maio de 2020, em um dos momentos mais desafiadores da história recente da saúde. Em meio à pandemia, recebi o convite para assumir uma posição de liderança na operação de Telessaúde. Naquele momento, a estrutura era composta por quatro grandes frentes assistenciais: Pronto-Atendimento Virtual, Hospital Virtual, Telemonitoramento e Teleconsultas de Especialidades. Na ocasião, liderava uma rede com cerca de 500 médicos assistenciais. Foi ali que ocorreu minha grande virada profissional.

Eu já cursava MBA em Gestão em Saúde e buscava constantemente capacitação em liderança, gestão de pessoas e melhoria de processos. No entanto, olhando para trás, percebo que nenhum curso ensina tanto quanto a prática diária. Foi convivendo com desafios reais, tomando decisões sob pressão, resolvendo conflitos, liderando equipes multidisciplinares e enfrentando cenários de enorme complexidade que comecei a compreender verdadeiramente o significado da gestão. Aprendi que processos são importantes, indicadores são importantes, tecnologia é importante, mas que nada substitui uma equipe engajada, bem orientada e alinhada por um propósito comum. Foi nesse período que compreendi que liderança não é sobre autoridade, mas sobre influência, exemplo e serviço.

O que me atraiu nesse caminho foi justamente a possibilidade de ampliar o impacto do meu trabalho. Como médico, eu tinha a oportunidade de transformar a vida de um paciente por vez. Como gestor, passei a enxergar a possibilidade de influenciar positivamente centenas de profissionais e, consequentemente, milhares de pacientes. Descobri que gostava de desenvolver pessoas. Gostava de ensinar, compartilhar experiências, incentivar o crescimento profissional e ajudar colegas a encontrarem seu potencial. Ver profissionais evoluindo, assumindo novos desafios e construindo carreiras sólidas passou a ser uma satisfação tão grande quanto os resultados assistenciais que eu obtinha na prática clínica. Ao mesmo tempo, a carreira executiva trouxe algo que considero extremamente estimulante: a oportunidade de aprender continuamente, estratégia, cultura, experiência do cliente, análise de dados, tecnologia, e muito desse conhecimento foi estimulado pela própria operadora em que trabalho.

Um aspecto que sempre considerei fundamental foi nunca me afastar completamente da assistência. Até hoje mantenho atuação médica, porque acredito que o gestor de saúde precisa permanecer conectado à realidade da operação. Atender pacientes não apenas preserva minha identidade profissional, mas também mantém viva a compreensão das necessidades reais de quem está na ponta do cuidado.

A medicina nos prepara para sermos especialistas em diagnósticos e tratamentos, mas não necessariamente para gerir equipes, conduzir negociações difíceis ou liderar grandes operações. Talvez a habilidade mais importante que precisei desenvolver tenha sido a gestão de pessoas. Aprender a ouvir diferentes perspectivas, lidar com conflitos, construir consensos e desenvolver talentos exige um conjunto de competências completamente diferentes daquelas que aprendemos na faculdade ou na residência médica. Também cometi erros ao longo do caminho. Como muitos profissionais que fazem a transição da assistência para a liderança, em alguns momentos tentei resolver tudo sozinho. Com o tempo, aprendi que resultados consistentes não são construídos por indivíduos, mas por equipes fortes. Delegar, confiar, formar sucessores e desenvolver lideranças tornou-se uma das lições mais valiosas da minha trajetória.

Após a consolidação da operação de Telessaúde, recebi um novo desafio: liderar projetos ligados à expansão da rede assistencial, especialmente na cidade do Rio de Janeiro. Essa experiência ampliou ainda mais minha visão sobre o mercado de saúde brasileiro, permitindo conhecer diferentes realidades, culturas organizacionais e modelos assistenciais. Foi uma oportunidade extraordinária para levar não apenas conhecimento técnico, mas também valores que considero fundamentais na liderança: gentileza, cordialidade, respeito às pessoas, excelência assistencial e desenvolvimento contínuo de competências técnicas e comportamentais. Hoje, olhando para trás, percebo que a gestão não substituiu minha carreira médica. Ela ampliou seu alcance. Continuo sendo médico, mas com a oportunidade de gerar impacto em uma escala muito maior, ajudando a construir equipes, operações e modelos assistenciais capazes de transformar a vida de milhares de pessoas todos os dias.

A gestão não substituiu minha carreira médica. Ela ampliou seu alcance.
Dr. Saulo Emanuel, cardiologista e diretor médico
Dr. Saulo Emanuel

O que eu faço hoje

Atualmente exerço algumas funções que considero complementares e que refletem bem minha visão sobre a saúde: continuo atuando como médico cardiologista assistencial e, ao mesmo tempo, exerço a função de diretor médico da rede ambulatorial da Prevent Senior, posição que ocupo há aproximadamente um ano e meio, e atuo também como diretor médico da Fórmula 1 GP São Paulo, pela Rede Sancta Maggiore.

Acredito fortemente que a gestão em saúde ganha mais força quando permanece conectada à assistência. Por isso, faço questão de continuar atendendo pacientes. Essa vivência me mantém próximo da realidade da operação, das necessidades dos beneficiários e dos desafios enfrentados diariamente pelos profissionais que estão na linha de frente do cuidado.

Como diretor médico, tenho a responsabilidade de atuar, ao lado de gestores de especialidades que considero profissionais de altíssimo nível, na condução de toda a rede ambulatorial própria, tanto na assistência presencial quanto nas operações de teleconsulta. Trabalhamos de forma integrada com as lideranças das regiões Grande São Paulo, Santos e Rio de Janeiro, buscando garantir alinhamento estratégico, qualidade assistencial e sustentabilidade operacional. Minha atuação envolve desde a gestão de pessoas até a análise de indicadores assistenciais, qualidade, experiência do beneficiário, expansão de rede e desenvolvimento de novos projetos. Hoje participamos da liderança de uma estrutura composta por mais de dois mil profissionais entre médicos e equipes multidisciplinares, responsáveis por aproximadamente 300 mil consultas mensais entre atendimentos presenciais e teleconsultas.

Nossa missão é oferecer uma assistência ambulatorial cada vez mais resolutiva, acolhedora e eficiente. Mais do que realizar consultas, buscamos entregar valor em cada interação com o beneficiário. Queremos que o paciente se sinta cuidado, respeitado e acolhido, mas também que perceba qualidade técnica, coordenação do cuidado e segurança em toda a sua jornada dentro do sistema de saúde. Ao mesmo tempo, existe um desafio igualmente importante: garantir que tudo isso aconteça de forma sustentável. A saúde suplementar vive um momento complexo em todo o mundo, e encontrar o equilíbrio entre excelência assistencial, experiência do paciente e responsabilidade financeira é uma das grandes missões dos gestores do setor atualmente.

Paralelamente à minha atuação na rede ambulatorial, também tenho a honra de integrar a equipe médica do Fórmula 1 Grande Prêmio de São Paulo, por meio da Prevent Senior e da Rede Sancta Maggiore. Atualmente exerço a função de diretor médico da operação de saúde do evento, junto a outros colegas diretores, coordenando equipes responsáveis pelo atendimento em pista, pelo Centro Médico e pelos ambulatórios das áreas VIP, incluindo Paddock Club e Village. Essa é uma atividade que possui um significado especial para mim. Sou apaixonado por Fórmula 1 desde a infância e sempre acompanhei o esporte com admiração. Ter a oportunidade de unir medicina, gestão, trabalho em equipe e um ambiente de alta performance como a Fórmula 1 é algo extremamente gratificante. Além do desafio técnico, é uma experiência que reforça diariamente conceitos fundamentais para qualquer líder: preparação, coordenação, tomada de decisão rápida, disciplina operacional e confiança entre equipes. No final, embora os cenários sejam diferentes, o propósito permanece o mesmo: construir estruturas que permitam às pessoas receberem o melhor cuidado possível no momento em que mais precisam.

Resultados concretos

Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de participar de diversos projetos transformadores na operadora em que trabalho, mas existem três experiências que considero particularmente marcantes por representarem momentos de construção coletiva, inovação e geração de valor em larga escala, com resultados concretos e impactantes.

O primeiro deles aconteceu em 2020. Em um cenário onde grande parte dos atendimentos presenciais precisou ser interrompida ou reduzida drasticamente, surgiu a necessidade de criar alternativas que garantissem acesso, segurança e continuidade assistencial para milhares de pacientes. Foi nesse contexto que participei, ao lado de um grupo extraordinário de gestores e profissionais de saúde, da estruturação de uma operação completa de Telessaúde. Partimos literalmente do zero para construir uma estrutura integrada composta por quatro grandes pilares: Pronto-Atendimento Virtual, Hospital Virtual, Telemonitoramento e Teleconsultas de Especialidades. Mais do que implantar tecnologia, o desafio era redesenhar processos assistenciais, capacitar equipes, integrar profissionais de diferentes áreas e garantir que a experiência do paciente permanecesse humanizada mesmo à distância. Em poucos meses, a operação alcançou uma escala superior a doze mil atendimentos diários, envolvendo não apenas médicos, mas também equipes multidisciplinares que passaram a atuar de forma coordenada e altamente resolutiva. O maior aprendizado desse projeto foi perceber que inovação em saúde não acontece apenas pela tecnologia, mas pela capacidade das pessoas de se adaptarem rapidamente em torno de um propósito comum.

O segundo projeto que considero extremamente relevante foi a participação na expansão da operação assistencial no Rio de Janeiro. Quando iniciamos esse movimento, tratava-se de um mercado completamente diferente daquele que conhecíamos em São Paulo, com características próprias, desafios regulatórios específicos e uma dinâmica de relacionamento distinta. Ao lado de colegas diretores e equipes locais, tivemos a oportunidade de construir uma estratégia de crescimento baseada em expansão de rede, fortalecimento assistencial e aproximação com os beneficiários. O resultado foi uma evolução expressiva da operação, que saiu de aproximadamente vinte mil beneficiários para cerca de setenta mil beneficiários ao longo dos anos seguintes. Mais do que números, essa experiência reforçou a importância de compreender as particularidades de cada mercado e de construir soluções respeitando a cultura local, sem abrir mão dos princípios de qualidade assistencial e sustentabilidade.

O terceiro projeto possui um significado especial por unir duas grandes paixões da minha vida: medicina e Fórmula 1. Tive a oportunidade de participar, junto a outros diretores e colegas, da estruturação e do desenvolvimento da equipe médica responsável pelo Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. Trata-se de um ambiente único, onde planejamento, precisão operacional e integração entre equipes são fundamentais. Diferentemente de muitos cenários assistenciais tradicionais, na Fórmula 1 os segundos realmente fazem diferença. Cada fluxo precisa ser previamente testado, cada protocolo precisa ser exaustivamente validado e cada profissional precisa compreender exatamente seu papel em situações de alta complexidade. Participar da construção dessa operação permitiu aplicar conceitos avançados de gestão de risco, trabalho em equipe, liderança sob pressão e excelência operacional.

Apesar de serem projetos muito diferentes entre si, existe um elemento comum nos três casos: nenhum deles foi resultado de esforços individuais. Todos foram construídos por equipes altamente comprometidas, multidisciplinares e alinhadas por um propósito claro. Talvez essa seja uma das maiores lições que aprendi ao longo da carreira. Os melhores resultados em saúde não acontecem quando temos os profissionais mais brilhantes trabalhando isoladamente, mas quando conseguimos construir ambientes onde pessoas talentosas trabalham juntas em busca de um objetivo maior do que elas próprias.

Prepare-se antes que a oportunidade apareça.

Propósito e alta performance

Durante a formação médica, é comum acreditarmos que dedicação significa abrir mão de tudo em nome da carreira. Com o tempo, entendi que a lógica funciona exatamente ao contrário. Quanto melhor cuidamos de nós mesmos, maior nossa capacidade de cuidar dos outros, liderar equipes e tomar boas decisões. Nossa performance depende de estarmos bem com nós mesmos.

Hoje procuro investir intencionalmente na minha saúde física. A atividade física faz parte da minha rotina e é um compromisso inegociável. Mantenho uma frequência regular de academia, cerca de cinco vezes por semana, além de atividades aeróbicas e do futebol, uma paixão que me acompanha desde a infância. Enxergo essa rotina como uma ferramenta fundamental para energia, disciplina, clareza mental e longevidade profissional. A saúde mental também ocupa um espaço importante na minha vida. Gosto de viajar, ler, assistir a filmes e buscar experiências que me permitam desacelerar e ampliar perspectivas, apesar de atualmente estar tentando melhorar a qualidade do sono.

Sempre fui uma pessoa curiosa e continuo acreditando que o aprendizado não deve ficar restrito à medicina. Procuro estudar temas relacionados à liderança, gestão, comportamento humano, inovação, tecnologia e desenvolvimento pessoal. Frequentemente participo de cursos, congressos, aulas e programas de capacitação, porque acredito que a evolução profissional precisa ser contínua. Mas, acima de qualquer cargo ou realização, aprendi que são as pessoas que dão sentido à nossa caminhada.

Hoje faço questão de dedicar tempo de qualidade à minha esposa, Nikole Kyriakidis, que atua na dermatologia e é minha parceira de vida. Seu apoio incondicional esteve presente em todas as fases da minha carreira, desde os períodos mais desafiadores até as maiores conquistas. Também procuro estar próximo da minha família e dos amigos que caminham comigo há tantos anos. Em uma rotina intensa como a da saúde, esses relacionamentos funcionam como um ponto de equilíbrio e lembram constantemente o que realmente importa.

Quando penso sobre propósito, não consigo separá-lo das pessoas. O que me move não é apenas alcançar resultados ou ocupar posições de liderança. O que me motiva é a possibilidade de gerar impacto positivo. Seja atendendo um paciente, liderando uma equipe, desenvolvendo um gestor ou compartilhando conhecimento com colegas, acredito profundamente que nossa principal missão é contribuir para o crescimento das pessoas ao nosso redor. Talvez por isso eu valorize tanto conceitos como gentileza, cordialidade e respeito. São características que muitas vezes parecem simples, mas que possuem enorme capacidade de transformar ambientes, fortalecer equipes e melhorar a experiência das pessoas.

Também acredito que propósito sem disciplina dificilmente produz resultados consistentes. A motivação é importante, mas ela nem sempre estará presente. O que sustenta uma trajetória de longo prazo é a combinação entre propósito, dedicação, disciplina e desenvolvimento contínuo de competências técnicas e comportamentais. Se existe algo de que me recuso a abrir mão, é justamente desse equilíbrio entre realização profissional e realização pessoal. No final da jornada, acredito que o verdadeiro sucesso não é medido apenas pelos cargos que ocupamos ou pelos resultados que alcançamos, mas também pela qualidade das relações que construímos, pela forma como tratamos as pessoas e pelo legado que deixamos ao longo do caminho.

O convite

Se eu pudesse deixar uma mensagem para o médico ou gestor que hoje está exatamente onde eu estava alguns anos atrás, ela seria simples: prepare-se antes que a oportunidade apareça.

Ao longo da minha trajetória, aprendi uma lição: a oportunidade raramente surge no momento em que nos sentimos prontos. Na maioria das vezes, ela aparece antes. Por isso, acredito que uma das maiores responsabilidades que temos com nossa carreira é estarmos continuamente nos preparando para desafios que ainda nem sabemos que existirão.

Acredito profundamente que a carreira executiva em saúde exige conhecimento técnico sólido. Seja na assistência, na gestão, na qualidade, na operação ou na estratégia, a competência técnica continua sendo a base sobre a qual construímos credibilidade. Por isso, estudar sempre será indispensável. Cursos, especializações, MBAs, congressos e programas de formação têm um papel importante e certamente contribuem para ampliar nossa visão. Mas existe uma crença bastante comum que considero equivocada: acreditar que apenas títulos acadêmicos serão suficientes para formar um grande gestor ou executivo. Os cursos ensinam conceitos. A liderança é desenvolvida na prática.

É no dia a dia que aprendemos a resolver conflitos, conduzir equipes, tomar decisões difíceis, construir consensos, lidar com pressão, promover mudanças e inspirar pessoas. Muitas vezes, não é o profissional com o currículo mais robusto que alcança posições de liderança, mas aquele que combina competência técnica com capacidade de relacionamento, disciplina, ética, proatividade e capacidade de execução. Ao longo dos anos, percebi que os hard skills abrem portas, mas são os soft skills que sustentam uma trajetória de longo prazo. Saber ouvir, comunicar-se bem, desenvolver pessoas, construir confiança, lidar com divergências e tratar todos com respeito e cordialidade são habilidades que fazem enorme diferença em qualquer organização.

Também acredito que existe outro ponto frequentemente negligenciado por quem busca alta performance: a vida fora do trabalho. Nenhuma carreira é sustentável se for construída às custas da própria saúde, dos relacionamentos ou da qualidade de vida. Cuidar de si mesmo não é um luxo; é uma necessidade. Dedicar tempo à família, aos amigos, aos hobbies, à atividade física e ao descanso é parte do processo de construção de uma carreira sólida e duradoura.

Por isso, meu conselho para quem deseja seguir o caminho da liderança em saúde é que desenvolva simultaneamente três pilares: conhecimento técnico, inteligência relacional e equilíbrio pessoal. Estude muito. Trabalhe com dedicação. Seja ético. Seja gentil com as pessoas. Esteja disposto a aprender continuamente. E, principalmente, mantenha-se preparado. Abordo muito esse tema no meu livro “O médico que ninguém te ensina a ser”.

Para quem desejar trocar experiências, discutir gestão em saúde ou conhecer um pouco mais do meu trabalho, estou sempre disponível por meio do LinkedIn (Saulo Emanuel Barbosa de Oliveira) e do Instagram (@sauloemanuel_). Acredito que compartilhar conhecimento é uma das formas mais valiosas de contribuir para o desenvolvimento da próxima geração de líderes da saúde.


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