Raízes

Eu vim de uma origem muito simples, com muito orgulho. Meu avô era caminhoneiro, um homem de caráter e valores firmes. Fui criado pelos meus avós, duas pessoas fantásticas por quem tenho um amor, um carinho e uma gratidão que não cabe no peito. Sabendo de onde eu vinha, a batalha para conseguir estudar medicina foi gigantesca. Nada veio de graça. Para ajudar a me manter e viabilizar esse sonho, eu fiz de tudo: desde organizar as festas do Intermed até passar um período ralando e entregando pizza nos Estados Unidos. Sempre fui um homem determinado e, mesmo nos momentos de maior cansaço, eu tinha aquela fé inabalável de que as coisas iriam dar certo.

Quando me formei, a batalha continuou. Fiz minha primeira residência em Cirurgia Geral no Hospital São José, em Criciúma. Nessa época, dei muito plantão, trabalhei no limite da exaustão e vivi a base da medicina de urgência. Anos depois, dei mais um passo largo na minha formação técnica e iniciei a residência em Cirurgia Cardiovascular em Itajaí, no Hospital Marieta. Eu era aquele profissional focado na técnica extrema, operando corações e lidando com a linha tênue entre a vida e a morte, mas sempre imaginei que meu futuro na saúde seria além disso.

A virada

A verdade é que o ecossistema dos negócios e da liderança sempre esteve no meu DNA, mesmo antes de eu entender o que era “gestão”. Olhando para trás, percebo que desde a época da faculdade, quando eu liderava as organizações das festas do Intermed, eu já sentia um chamado muito forte para o empreendedorismo e para a coordenação de pessoas. Eu gostava de fazer as coisas acontecerem em grande escala.

Tanto é que a minha virada para os negócios não aconteceu depois que eu já era um cirurgião consolidado; eu montei a minha empresa logo quando me formei, enquanto trabalhava na emergência. Foi vivenciando a dor da linha de frente, no caos dos plantões de porta, que eu notei o gargalo gigantesco da saúde: a desconexão entre a assistência médica e a administração. Começou a me incomodar profundamente ver como a falta de uma gestão eficiente desestruturava as escalas, estressava os colegas médicos e impactava negativamente o atendimento ao paciente.

Percebi ali, recém-formado, que se eu ficasse apenas no plantão, ajudaria uma pessoa por vez; mas se eu empreendesse e criasse modelos de gestão eficientes, eu poderia impactar milhares de vidas simultaneamente. O maior medo na época foi conciliar tudo e aprender a linguagem dos negócios do absoluto zero, já que a faculdade não nos prepara para isso. Mas aquela mesma determinação de quem já tinha entregado pizza me deu forças para estruturar a empresa enquanto me dividia entre a emergência e as residências de cirurgia geral e, posteriormente, cardiovascular.

A medicina e a gestão precisam caminhar juntas para darmos uma saúde de qualidade para a população.

O que eu faço hoje

Neste momento da minha carreira, me encontro posicionado justamente no ponto de encontro entre o cuidado assistencial e o vasto universo corporativo da saúde. Atuo como sócio-diretor na GSS Gestão de Serviços de Saúde, frente na qual comandamos operações de alta complexidade. Nosso foco é refinar a logística de plantões e a organização das escalas, garantindo que hospitais e redes de atendimento alcancem uma performance operacional de excelência e levar saúde de qualidade para todos.

Em paralelo, fundei três verticais estratégicas criadas para sanar dores reais que vivenciei no setor: o Dr. Escala, que traz automação para a gestão das escalas médicas; o Dr. Oportunidade, uma ponte inteligente entre profissionais e o mercado; e o Dr. Teleatendimento, nosso braço tecnológico voltado à telessaúde. Atualmente, lideramos centenas de especialistas, impactando um volume expressivo de atendimentos mensais. O crescimento do nosso faturamento e da equipe reflete essa robustez, posicionando o grupo como um protagonista de peso no mercado nacional de saúde.

Resultados concretos

Um marco fundamental na nossa jornada foi a transformação completa do gerenciamento de escalas em grandes centros de urgência. Antes de implementarmos nosso ecossistema, a organização de furos, ausências e acertos financeiros era feita de modo quase artesanal, em planilhas voláteis ou conversas de mensagens. Isso gerava prejuízos financeiros severos e, o mais grave, colocava em risco a assistência direta ao paciente.

Unimos a inteligência da GSS ao poder tecnológico do Dr. Escala para mudar esse cenário. Mapeamos cada falha no RH, redesenhamos os fluxos e entregamos uma plataforma onde o médico se torna corresponsável por sua própria jornada de trabalho. Como resultado, as faltas foram praticamente erradicadas e as instituições alcançaram uma redução de custos operacionais superior a 20%, sem abrir mão do rigor técnico no atendimento.

Propósito e alta performance

Minha missão de vida é imprimir eficiência na saúde pública e privada do país. O combustível que me motiva, mesmo diante dos maiores desafios, é a consciência de que cada processo otimizado garante que uma pessoa receba um atendimento digno e ágil quando mais precisa. Sempre digo para meus colaboradores no momento de contratar um médico: pensem se esse profissional poderia atender meus avós? Ele passa essa confiança e responsabilidade?

Para equilibrar as responsabilidades de cirurgião e gestor, mantenho uma rotina disciplinada. O surfe e o jiu-jitsu são sagrados para mim; são no mar e no tatame que encontro clareza mental. Além disso, a musculação diária é o que sustenta o vigor físico necessário para essa jornada dupla.

Contudo, meu porto seguro e maior fonte de alegria é a minha família. Ao lado da minha esposa Thaís, vivo a doce expectativa pela chegada da nossa filha, Sofia, prevista para setembro de 2026. Esse tempo de qualidade e a preparação para a paternidade são prioridades absolutas, das quais não abro mão por compromisso algum.

O convite

Aos colegas médicos e gestores que sentem a necessidade de uma mudança de rumo, meu conselho é direto: dediquem-se a entender processos e pessoas. É preciso expandir o olhar para além da técnica clínica e mergulhar em temas como cultura organizacional, liderança e fundamentos de finanças.

Precisamos quebrar o mito de que “médicos não são bons administradores” ou que “a gestão compromete a humanização”. Pelo contrário, é a gestão eficiente que viabiliza o cuidado humano. Sem uma base operacional sólida, a ciência médica não consegue cumprir seu papel social. Se eu pudesse dar um conselho ao meu eu do passado, seria para não temer o erro, pois ele faz parte da inovação; o segredo é aprender com rapidez.

Convido todos que desejam construir o amanhã da saúde a conhecerem o trabalho da GSS e de nossas verticais. Podemos nos conectar pelo Instagram ou LinkedIn; estou sempre à disposição para dialogarmos sobre como elevar o patamar do nosso setor.


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