Raízes

Nasci em Assis, interior de São Paulo, filho de José Roberto, engenheiro civil da Andrade Gutierrez, e de Walkyria, professora de inglês. Por conta da profissão do meu pai, morei em mais de 30 cidades ao longo da infância e da adolescência. Essa experiência me ensinou desde cedo a me adaptar rapidamente a novos ambientes, a conhecer pessoas diferentes e a desenvolver facilidade de relacionamento. Minha família imaginava que eu seguiria uma carreira ligada à tecnologia da informação, já que desde muito jovem eu demonstrava grande interesse por computadores e tecnologia.

E, de fato, desde cedo fui apaixonado por tecnologia. Uma das minhas maiores referências daquela época era a Fenasoft, a maior feira de informática e software do Brasil, que marcou uma geração inteira nos anos 90 e início dos anos 2000. Eu nunca perdi uma edição. Acompanhava de perto os lançamentos de computadores, softwares, tendências e inovações que estavam chegando ao mercado brasileiro. Foi nesse ambiente que desenvolvi minha paixão por tecnologia e comecei a enxergar as enormes transformações que a informática e, depois, a internet provocariam nos negócios e na sociedade. Cheguei a ganhar do meu pai um Apple, algo bastante raro para a época, o que reforçou ainda mais minha conexão com o universo da tecnologia. Mas, paralelamente, sempre tive um perfil comercial: vendia calendários personalizados para empresas e buscava oportunidades de negócio muito antes de entender o que era empreendedorismo.

Aos 15, aos 18 anos, meu objetivo era fazer algum curso relacionado à computação. Aos 20, enquanto cursava Análise de Sistemas, comecei a perceber que existia algo diferente. Eu gostava de tecnologia, mas o que realmente me atraía era vender. Foi nesse momento que entendi que minha vocação estava mais ligada ao relacionamento, aos negócios e à geração de oportunidades do que à programação em si.

Antes mesmo de a internet comercial chegar ao Brasil, eu já era usuário do Mandic BBS. De certa forma, Aleksandar Mandic foi uma das influências que despertaram minha curiosidade pelo universo da tecnologia e das redes de relacionamento digitais. Mais tarde, meu primo Adriano Tucunduva tornou-se uma das maiores influências da minha formação comercial. Adriano era dono de uma gráfica e tinha um talento natural para vendas. Grande parte da minha visão comercial foi construída observando a forma dele de se relacionar com clientes, identificar oportunidades e gerar negócios.

A virada

Depois de me formar em Análise de Sistemas, fui estudar inglês no Canadá. Quando voltei ao Brasil, ainda não tinha clareza absoluta sobre qual caminho seguir. Foi então que o Adriano me convidou para trabalhar com ele. A internet estava começando a ganhar força no país, e foi nesse contexto que fundamos a HZTA Internet, em 1998, a empresa que marcou o início da minha trajetória empresarial e minha entrada definitiva no mercado digital. Desde então, nunca trabalhei como CLT. Toda a minha trajetória profissional foi construída empreendendo.

O que me atraiu foi a possibilidade de construir algo próprio. Eu sempre gostei de tecnologia, mas percebi cedo que minha grande paixão estava em criar relacionamentos, gerar negócios, desenvolver mercados e construir oportunidades para outras pessoas. Quando voltei do Canadá, além de iniciar a jornada empreendedora, ingressei na pós-graduação em Marketing da ESPM. Foi uma experiência decisiva, porque me permitiu aprender a teoria daquilo que eu já vinha vivenciando na prática ao lado do Adriano. Enquanto o empreendedorismo me ensinava a realidade do mercado, a ESPM me ajudava a compreender posicionamento, estratégia, vendas e construção de marcas. Essa combinação entre teoria e prática foi fundamental para minha formação como empresário.

Meus maiores medos, naquela época, estavam ligados à falta de conhecimento sobre gestão. Eu sabia vender, mas não entendia de gestão financeira, planejamento estratégico, liderança, contratação ou construção de empresas. Essa insegurança me acompanhou durante os primeiros anos. Praticamente todas as competências de gestão eu tive que aprender do zero: minha formação e minha vocação me ensinaram a vender, mas me tornei gestor na prática, na tentativa e erro, nos desafios do dia a dia do negócio.

Meu maior erro também veio dessa estrada. Em 1998 fundei a HZTA Internet; em 2006 fizemos uma fusão com a Cappuccino, passando a operar como Cappuccino Digital. Permaneci nesse mercado por cerca de duas décadas, acompanhando a transformação digital de diversas empresas e o amadurecimento do ecossistema digital brasileiro, trajetória que culminou na venda da empresa para um grupo internacional, em 2018. Olhando para trás, considero que meu maior erro aconteceu depois que deixei a operação executiva da agência, em 2010. Durante os anos à frente da HZTA e, depois, da Cappuccino Digital, eu mantinha um foco muito claro em um único mercado e um único projeto principal. Quando saí da operação, passei a dividir a atenção entre iniciativas diferentes e levei algum tempo para perceber o impacto negativo dessa dispersão. Anos mais tarde entendi que estava patinando não por falta de competência ou de oportunidades, mas por falta de foco.

Grandes resultados surgem quando permanecemos tempo suficiente no mesmo jogo para construir profundidade, reputação e diferenciação.

Essa é uma das lições mais importantes da minha vida. Por isso, planejamento e foco são dois dos conceitos que mais procuro transmitir aos empreendedores que mentoro.

O que eu faço hoje

Atualmente atuo como CEO da EUVENDO Saúde e como Vice-Presidente da ABSS, a Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs. Na EUVENDO Saúde, lidero a estratégia de crescimento da empresa, que atua em três grandes frentes: serviços de vendas, tecnologia e soluções financeiras para o mercado de saúde.

Na frente de serviços de vendas, ajudamos empresas da saúde a estruturarem suas máquinas comerciais, principalmente organizações que querem vender para hospitais, operadoras, clínicas, indústrias farmacêuticas e demais players do setor. Na frente de tecnologia, desenvolvemos uma plataforma para clínicas e hospitais com três funcionalidades principais: recuperação de pacientes, agendamento inteligente por inteligência artificial via WhatsApp e ferramentas de previsibilidade financeira e operacional. Mais recentemente, identificamos uma dor muito clara entre os profissionais de saúde, a dificuldade de gestão financeira, e a partir dela estamos estruturando uma nova vertical baseada na criação de um fundo especializado em antecipação de crédito para profissionais e empresas da saúde, especialmente médicos. Hoje operamos com uma equipe de aproximadamente dez profissionais na EUVENDO Saúde.

Na ABSS, trabalho para fortalecer o ecossistema brasileiro de healthtechs, promovendo conexões entre startups, hospitais, operadoras, investidores, indústria e demais agentes do setor, e contribuindo para o desenvolvimento da inovação em saúde no Brasil.

Claudio Coelho em painel da ABSS
Claudio Coelho · ABSS

Resultados concretos

Um dos resultados mais relevantes da minha trajetória aconteceu dentro de dois ecossistemas empresariais distintos: o mercado digital e o mercado de saúde. Primeiro participei da profissionalização da ABRADi, a Associação Brasileira dos Agentes Digitais, onde atuei como Presidente no estado de São Paulo a partir de 2009. Hoje vivo uma experiência semelhante na ABSS, na função de Vice-Presidente. Apesar de serem setores completamente diferentes, os desafios eram praticamente os mesmos: poucos associados, baixa geração de receita, pouca clareza sobre a proposta de valor e forte dependência do trabalho voluntário dos dirigentes.

O trabalho consistiu em ajudar a construir identidade para esses mercados, definir posicionamento, estruturar uma proposta de valor clara para os associados, promover conexões, eventos e geração de negócios, e fortalecer o sentimento de pertencimento das empresas participantes. Na ABRADi, participei do processo que levou a entidade de 14 para cerca de 600 associados em apenas quatro anos. Na ABSS, nos últimos dois anos e meio, ajudamos a transformar uma associação que tinha apenas 3 associados pagantes em uma comunidade com quase 200 associados pagantes.

Mais do que os números, o principal legado foi ajudar a construir comunidades que se tornaram maiores do que seus próprios líderes.

O resultado foi a transformação dessas entidades em ecossistemas sustentáveis, capazes de gerar receita própria, ampliar significativamente a base de associados e contratar profissionais dedicados à sua gestão.

Propósito e alta performance

Tenho uma crença muito forte: se todos nós vamos morrer um dia, então a grande pergunta é por que estamos aqui. Ao longo da vida, só encontrei uma resposta que faz sentido para mim: nossa missão na Terra é ajudar as pessoas. Ajudar familiares e amigos é relativamente fácil. O verdadeiro desafio está em ajudar quem você não conhece: alguém que está começando uma carreira, um empreendedor enfrentando dificuldades, alguém que precisa apenas de uma oportunidade, ou alguém em situação de fragilidade social. Isso exige aquilo que considero amor fraternal: um amor que não enxerga posição social, patrimônio, aparência ou qualquer outra distinção. Sempre que consigo contribuir para o crescimento de alguém, sinto que estou cumprindo minha missão como ser humano.

Nos últimos anos, tenho buscado mais equilíbrio entre resultado, espiritualidade e qualidade de vida. A meditação, os estudos espirituais, os rituais matinais de reflexão e a busca constante por autoconhecimento passaram a fazer parte da minha rotina.

O convite

Para o médico ou gestor que sente a necessidade de mudar de rumo, acredito que o primeiro passo seja desenvolver conhecimento sobre as disciplinas de gestão que normalmente não fazem parte da formação médica. Não para se tornar especialista em tudo, mas para compreender essas áreas e saber trabalhar ao lado de especialistas. O papel do líder não é dominar todas as disciplinas: é construir um time capaz de complementar aquilo que ele não domina.

Uma das crenças mais equivocadas que vejo na gestão em saúde é achar que basta gerar receita e contratar bons profissionais para o negócio dar certo. Isso pode funcionar no curto prazo, mas, sem planejamento estratégico, governança e visão de longo prazo, o crescimento encontra limites. A saúde é um setor extremamente complexo: não basta ter excelentes profissionais na ponta ou uma operação gerando caixa; é preciso construir uma visão clara de futuro e um plano consistente para chegar até ela.

Se eu pudesse ter sabido algo antes de começar, gostaria de ter ouvido mais o meu pai. Durante anos ele repetiu duas palavras que hoje fazem parte da minha vida: planejamento e foco. Tenho convicção de que esses dois princípios teriam acelerado ainda mais minha trajetória. Hoje entendo que execução sem direção gera desgaste, e oportunidades sem foco podem se transformar em distrações.

Independentemente do mercado, da tecnologia ou do negócio, continuo acreditando que construir valor significa ajudar pessoas. É por isso que sigo empreendendo, liderando comunidades, desenvolvendo novos projetos e buscando criar oportunidades para que outras pessoas cresçam junto. No final, o sucesso não está apenas naquilo que construímos para nós mesmos, mas, principalmente, no impacto positivo que conseguimos gerar na vida dos outros.

Fale com o Claudio. Quem quiser falar com ele ou conhecer seu trabalho pode encontrá-lo no LinkedIn, no Instagram (@crtcoelho, @euvendo.saude e @abstartupssaude), pelo WhatsApp (11) 97680-5330 ou pelo e-mail claudio@evs2.com.br.

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